Carne Sustentável do Pantanal: uma parceria entre Korin, ABPO e WWF-Brasil.

Postado em 19 de Janeiro de 2015

Os apreciadores da alimentação saudável, vão poder se servir à vontade com a certeza de que estarão consumindo uma carne sustentável, produzida com responsabilidade ambiental e saborosa, que estará agora mais acessível aos consumidores. O produto está nos principais pontos do varejo brasileiro desde outubro e é resultado de uma parceria entre a Korin Agropecuária, Associação Brasileira da Pecuária Orgânica (ABPO) e o WWF-Brasil, ONG ambientalista que há mais de 10 anos vem estimulando o desenvolvimento de uma pecuária sustentável na região do Pantanal.

Pioneira na produção brasileira em escala de frangos e ovos livres de antibióticos e outros químicos, além de uma vasta lista de alimentos orgânicos, a Korin é o elo mais recente dessa parceria, diz Reginaldo Morikawa*, Diretor Superintendente da empresa. A Korin é responsável pela comercialização da carne sustentável, oriunda de gado criado solto na região do Pantanal, cuja alimentação está baseada em pastagens livres de agrotóxicos e adubos químicos no solo, ureia ou antibióticos utilizados na engorda de animais, e que prejudicam, e muito, a saúde humana e o meio ambiente. Ou seja, a carne é proveniente de áreas sob manejo sustentável, com boas práticas e atendimento a critérios ambientais e sociais claros. “A Korin fecha um ciclo, que começou com a ABPO, que reúne os produtores, e o WWF-Brasil, que tem o objetivo de desenvolver um trabalho de preservação do Pantanal e da manutenção deste ecossistema e do homem pantaneiro trabalhando na única atividade rentável no local. O projeto das duas instituições agora tem sentido completo de existir, pois a Korin está se incumbindo de vender este produto diferenciado, uma vez que só assim todo o trabalho de produzir com qualidade e com maior custo se torna viável”, explica Morikawa.

A parceria entre o WWF e a ABPO começou em 2003, quando a ONG iniciou um trabalho de apoio à produção da pecuária orgânica do Pantanal, uma ação pioneira para uma ONG ambientalista. “O Pantanal é a maior área continental úmida do planeta e este bioma, também conhecido como “Reino das Águas”, é importante para o suprimento de água e para o equilíbrio climático do planeta. É nesta região que a pecuária bovina vem se desenvolvendo como atividade econômica tradicional há mais de 250 anos, alicerçada na cultura do ‘Homem Pantaneiro’, onde a criação de gado sempre se baseou na dinâmica natural da região, respeitando e convivendo em harmonia com o ‘ciclo das águas’, com a fauna e a flora, onde os animais são livres para se alimentar em extensas áreas de pastagens nativas. A ‘Carne Sustentável do Pantanal’ é proveniente de sistemas sustentáveis”, ressalta Júlio Cesar Sampaio**, coordenador do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil.web1

 

Avaliada pela Embrapa

“A promoção deste produto vai ajudar a obter resultados de conservação no Pantanal pelo aumento das áreas de produção sob manejo sustentável, com boas práticas e atendimento a critérios claros ambientais e sociais. Outra parceria importante é com a Embrapa Pantanal, que apoiará a ABPO e a Korin na avaliação das fazendas utilizando sua ferramenta chamada ‘Fazenda Pantaneira Sustentável – FPS’, que comprovará para os consumidores a sustentabilidade dos sistemas produtivos que aplicam o Protocolo Interno ABPO/Korin”, acrescenta Nilson de Barros****,  Vice-Presidente da ABPO e também produtor pantaneiro. Desde a formação da parceria entre a ABPO e o WWF-Brasil, a área sob manejo com boas práticas aumentou de 3 mil hectares para mais de 170 mil, afirmam os executivos, se estendendo ainda para Bolívia e Paraguai, países que também abrigam uma parte do pantanal sul-americano.

São 140 mil hectares de área certificada para produção de carne orgânica no Pantanal em parceria com a ABPO. “A parceria entre ABPO, Korin e WWF-Brasil agrega muito à nossa estratégia de promoção e estímulo a cadeias produtivas sustentáveis, e na tentativa de ganho de escala e de resultados de conservação no Pantanal. Com este novo produto aliado ao potencial de mercado que acreditamos ser muito bom para produtos sustentáveis, acreditamos que poderemos ter um aumento maior de áreas sob manejo sustentável na produção de carne bovina no Pantanal”, enfatiza o especialista em pecuária sustentável do WWF-Brasil, Ivens Domingos***.web2

Produto nas gôndolas e novos a caminho

A “Carne Sustentável do Pantanal” inicialmente será comercializada em pontos de venda estratégicos do varejo brasileiro. “Pontos que sirvam de vitrine para as outras redes e lojas. Queremos buscar crescimento de maneira sustentável, de acordo com a capacidade produtiva dos nossos parceiros”, diz Morikawa. Conforme Barros, o produto será destinado inicialmente apenas para o mercado interno, com expectativa de aumento de volumes dentro de um ano. “Ainda não existem discussões sobre a abertura de mercado de exportação”, afirma o Vice-Presidente da ABPO.

O executivo da Korin tem certeza que o produto tem tudo para ser um novo case em vendas. Do lado do consumidor, atende a uma lacuna no mercado daqueles que estão mais conscientes e preocupados com a qualidade dos alimentos e a preservação ambiental. “Não há no mercado opções saudáveis de carne vermelha como o nosso lançamento”, afirma Morikawa, observando que a Korin sempre teve interesse em oferecer aos clientes da sua marca uma carne de gado criado sem aditivos químicos e antibióticos, que resultasse em um produto macio e saudável e que ainda não prejudicasse a natureza. “A carne bovina é um complemento da linha, uma vez que já trabalhamos com a proteína do frango e dos ovos”, afirma.

Do lado do varejo, tem o interesse crescente dos supermercadistas de ampliar a oferta de produtos sustentáveis. “Os supermercadistas têm demonstrado grande preocupação em oferecer opções mais saudáveis a seus clientes e estaremos atendendo a este requisito mais amplamente agora com o lançamento deste novo produto”, diz o Diretor Superintende da Korin, que já planeja colocar no mercado, além da carne in natura, uma linha de processados utilizando a carne bovina sustentável como matéria-prima, como hambúrguer, almôndega, mortadela, quibe, entre outros destaques.

*Reginaldo Morikawa – Diretor Superintendente da Korin Agropecuária, empresa que se dedica à produção de alimentos orgânicos e sustentáveis. Palestrante de Instituições Governamentais, privadas e Universidades, tendo palestrado para cerca de 20.000 pessoas sobre Qualidade de Vida e a importância da Agricultura Natural, tanto para a saúde quanto para o meio ambiente. Publicitário e especialista em marketing. Foi precursor no setor, aonde trabalhou por dezoito anos na área comercial fomentando o mercado de produtos sustentáveis e orgânicos no Brasil, nos últimos 10 anos. Possui vasta experiência na área de alimentos naturais e orgânicos.

**Júlio César Sampaio da Silva – Coordenador Programa Cerrado e Pantanal – WWF Brasil Engenheiro florestal e Mestre em Ciências Florestais pela Universidade de Brasília, especialista em Restauração Florestal com foco em ambientes de Cerrado. Desde a formação atuou em diversos projetos de Restauração Florestal. Atuou na área de licenciamento ambiental no Ibama avaliando Processos de licenciamento do setor energético. Atuou também em projetos de extrativismo vegetal no Cerrado. Desde 2010 trabalha no WWF Brasil inicialmente apoiando a execução o projeto Sertões, focado na conservação do Bioma Cerrado, no cargo de Analista de conservação do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil. Atualmente é o coordenador do mesmo programa, atuando de forma mais ampla e em ações de conservação nos dois Biomas, Cerrado e Pantanal. Acesse: www.wwf.org.br Programa Cerrado Pantanal WWF-Brasil.

***Ivens Domingos – Especialista em Pecuária Sustentável  do Programa Cerrado e Pantanal – WWF Brasil, Médico veterinário graduado pela UFPR em 1996. No início da carreira atuou nas áreas de medicina de animais silvestres e clínica médica de pequenos animais, apoiando e participando de diversos Projetos de Captura e Manejo de grandes felinos no Pantanal. Atuou também como Oficial Médico Veterinário no Exército Brasileiro de 1996 a 2003, chegando ao posto de 1º Tenente. Desde 2003 trabalha como responsável pelo componente de Pecuária Sustentável no Programa Cerrado & Pantanal do WWF – Brasil, onde atua fortemente no apoio técnico e científico nas áreas de certificação; análise de cadeias produtivas; boas práticas agropecuárias; treinamento e capacitação; gestão e acompanhamento de processos multi stakeholders; e elaboração e gestão de projetos. Atualmente é especialista em pecuárias sustentável do WWF – Brasil, apoiando na elaboração de estratégias e planos de ação também para outras áreas de atuação do WWF – Brasil, como a Amazônia; e também coordena há mais de 10 anos uma parceria de sucesso com a Associação Brasileira de Produtores Orgânicos (ABPO). Acesse: www.wwf.org.br Programa Cerrado Pantanal WWF-Brasil.

****Nilson de Barros –   Vice-Presidente da ABPO e Produtor Pantaneiro. Médico veterinário e pós-graduado em Patologia Animal pela UFMS (1979 – 1981). Atuou desde o início da carreira como professor do Curso de Medicina Veterinária da UFMS e durante vários anos alternou sua carreira acadêmica com importantes funções públicas e cargos em instituições renomadas, além é claro de não abandonar a atividade de Pecuarista. Atuou como Chefe Geral da Embrapa Pantanal (1986 – 1988); Secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (1988 – 1990);  e Superintendente de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (1997). Foi sócio fundador de uma das mais importantes ONGs regionais:  a Sociedade de Defesa do Pantanal – SODEPAN (1989), e mais recentemente criou a Escola de Qualificação Rural dentro da UFMS, e dirigiu o Hospital Veterinário da UFMS. Dedicado à luta pela valorização da Cultura do Homem Pantaneiro e pelo desenvolvimento sustentável do Pantanal. Acesse: http://www.abpopantanalorganico.com.br/pt/.

Luciana Juhas Mtb 27.948