A questão do preço dos orgânicos

Postado em 27 de abril de 2015

Os produtos orgânicos são, de fato, mais caros que os convencionais. No entanto, eles não carregam no preço o alto impacto sobre o meio ambiente, como a contaminação do solo e da água por agrotóxicos e do ar pela emissão de gases causadores do efeito estufa. Também têm a vantagem de não afetar a saúde dos agricultores e criadores de animais e dos próprios consumidores. Ao avaliar sob esta ótica, são os produtos convencionais que possuem custo mais baixo justamente por ignorarem estes impactos, às custas de uma metodologia de produção de baixo custo, porém de alto impacto ambiental e muitas vezes social.

“Os produtos orgânicos custam mais do que os convencionais? Custam, mas as pessoas não enxergam para além dos benefícios imediatos, não veem os benefícios não-tangíveis. É preciso reconhecer o benefício de longo prazo, o benefício para a saúde, para o meio ambiente”, afirma Reginaldo Morikawa, diretor superintendente da Korin. Ele defende que as empresas precisam ser claras quanto ao real custo de seus produtos. Ou seja, é importante levar em conta, ao avaliar o preço, o que fica para a sociedade ao longo do processo produtivo que o envolve: a emissão de gases poluentes, a geração de lixo, o consumo de água doce, a contaminação do solo e da água, etc.

Em função disso, órgãos internacionais como FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), OMS (Organização Mundial de Saúde) e UNCTAD (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento) estão lançando campanhas para estimular a população mundial a consumir produtos advindos de práticas agroecológicas, tanto pelos benefícios à saúde quanto ao meio ambiente e à cadeia produtiva como um todo.

Mensagens recebidas através dos canais de atendimento da Korin têm demonstrado que os clientes da empresa detêm esse conhecimento e se preocupam com a forma como o alimento é produzido, concordando que o valor no preço final do produto acaba por ser mais alto que os da agricultura convencional.

Um exemplo claro sobre como determinado alimento acaba tendo um custo mais alto do que os demais é o que acontece com a criação do frango AF: neste caso, as aves são abatidas com 46 dias (pesando, em média, 2,4kg), quatro dias a mais do que as de granjas convencionais. A necessidade de criação por mais tempo se dá em função da alimentação (baseada estritamente em ingredientes vegetais, no caso do AF, e mais cara do que as demais) e do não uso de antibióticos e promotores artificiais de crescimento.