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“Envolvido pela aura de Deus, sinto-me profundamente feliz. É como se eu estivesse me divertindo no campo, durante a primavera.” Mokiti Okada* - idealizador do Movimento para a Agricultura Natural |
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Belo Horizonte, terça, 14 de Junho de 2005
AGROPECUÁRIO
Campo ao natural
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Contaminados por agrotóxicos ou preocupados com a qualidade da alimentação que põem na mesa do consumidor, cada vez mais produtores recorrem à agricultura natural, que tem como filosofia o absoluto e total respeito à natureza e ao ser humano. Além de ensinar o método e auxiliar os agricultores na implantação, a empresa Korin Agropecuária, brasileira, também produz o frango verde e outros 64 tipos de produtos agrícolas, além do composto orgânico chamado Bokashi, recomendado para a recuperação do solo, o início de todo o processo. Embora esses alimentos cheguem mais caros ao mercado, os agricultores garantem: vendem tudo que plantam.
Artigo: Caminho de volta
Tetsuo Watanabe
Presidente de honra da Fundação Mokiti Okada (*)

Cultivo natural de feijão: a agricultura
Existe atualmente um grande interesse pelo consumo de alimentos naturais e livres da toxicidade adquirida pelas práticas da moderna agricultura, que se valem intensivamente de produtos químicos em todo o ciclo de cultivo e produção. A União Européia está decidida a barrar o ingresso desse tipo de alimento e vem regulamentando a entrada de uma série de produtos nos 25 países signatários.
Os agricultores, especialmente os de médio e pequeno portes, se sentem num beco sem saída e procuram por alternativas, uma vez que também sofrem as conseqüências da manipulação de agrotóxicos. Adoecem gravemente por causa da convivência com a química e ainda sentem a pressão de uma parte do mercado consumidor, mais consciente, que exige os alimentos puros.
Esse cenário é recente e não foi por causa dele que a Fundação Mokiti Okada abraçou a causa da agricultura natural. Nossas razões não são meramente de ordem mercadológica. Vão além delas. Nosso objetivo é defender a vida do planeta e de seus habitantes, incentivar sua evolução espiritual e consciente e ajudar a humanidade a viver de acordo com a verdade contida nas leis universais. A produção e a alimentação constituem uma coluna fundamental para a sobrevivência do homem e, por isso, formalizamos um método de agricultura natural.
Esse método foi desenvolvido e divulgado por Mokiti Okada, em 1935. Através da fundação, nos esforçamos para torná-lo disponível para os agricultores brasileiros sem pedir nada em troca nem cobrar nada deles. Nosso desejo sempre foi o de beneficiá-los com a orientação do nosso patrono e induzir à produção de alimentos puros e saudáveis por acreditar que é verdadeira e se consistirá na tábua de salvação da humanidade.
Foi assim que Mokiti Okada vislumbrou, ainda no início do século passado, devido à sua capacidade de se antecipar aos fatos, uma condição típica dos homens sábios e bem inspirados. Sua coragem para contestar a agricultura moderna acabou originando muitas outras correntes, que também pregam contra o uso de adubos químicos e agrotóxicos. Muitas, inclusive, também são adotadas no Brasil.
Mas a agricultura natural é exclusiva de Mokiti Okada e, como o próprio nome diz, ensina que o correto caminho está em obedecer as leis da natureza, em observar a força natural do solo e agir de acordo com o ciclo de vida. É dele o poema: “Quando apanho uma folha seca caída no chão, sinto nela a indiscutível lei do ciclo da vida”.
O terceiro milênio está exigindo uma reforma do pensamento do homem e uma mudança radical nos seus hábitos para que ele possa superar as doenças e catástrofes naturais. A agricultura, aos poucos, precisa retomar seu valor. Não vai tão longe assim o tempo em que, no Japão, as classes sociais mais importantes e respeitadas estavam nessa ordem: samurai, agricultor, artesão e comerciante.
E hoje? Que imagem a opinião pública tem dos agricultores? O que se espera deles? Que prosperidade têm alcançado com seu trabalho? Qual é a importância dada aos alimentos? Será que conhecemos o verdadeiro sabor das frutas, das hortaliças, dos legumes? Como são balanceados para fornecer os nutrientes necessários para a saúde e vitalidade do organismo? Quem ainda acredita que uma boa alimentação é capaz de curar ou até mesmo evitar uma série de doenças, inclusive as degenerativas?
Ao responder a essas perguntas, qualquer um vai perceber a missão espiritual contida na agricultura, o que não invalida o fato de o agricultor trabalhar para obter lucros e ser bem-sucedido. Se a mesma obedecer às leis da natureza vai manter acesos os valores verdadeiros que, por ora, o materialismo está esmagando. Para quem busca resultados imediatos, o raciocínio e conduta materialistas podem ser solução, mas a longo prazo conduzem a uma encruzilhada.
Como essa, de agora: é mudar ou morrer. Felizmente, grande parte da humanidade anseia por mudanças e não está motivada apenas por razões ideológicas; age pelo próprio instinto de sobrevivência. Por esse motivo a Fundação Mokiti Okada, através de seu Centro de Pesquisas e da Korin Agropecuária, tem se dedicado à agricultura natural e está pronta para auxiliar todos que se identificarem com nosso método.
QUEM É Mokiti Okada nasceu em 23/12/1882, em Tóquio, Japão. Sempre foi sensível aos problemas da humanidade. Aprofundou-se em vários estudos para entender a origem dos sofrimentos humanos. Como resultado de muitas pesquisas e com uma imensa sabedoria, instituiu a Igreja Messiânica Mundial. Faleceu em 1955, deixando uma filosofia em que a agricultura natural é adotada como prática para o homem alcançar verdadeira saúde, prosperidade e paz.
Contaminação é coisa do passado
Agricultura natural, de total respeito a natureza e ao ser humano, ocupa cada vez mais espaços no campo
Rosa Maria
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"Se conseguirmos trabalhar corretamente, a cada dia, vai melhorando a competitividade. Assim, vamos ter preço nivelado com o da agricultura convencional" - Pedro Oda, produtor de morango natural, em Cambuí |
“Eu estava doente de tanto manipular agrotóxico. Minha família estava doente. Eu só gastava dinheiro. Estava desanimando com a lavoura. Foi aí que um amigo me convidou para conhecer a agricultura natural e eu gostei, porque não queria mais usar veneno." Esse é o testemunho do agricultor José Batista Campos em palestra na Epamig, na tentativa de sensibilizar seus colegas a romper com as mesmas dificuldades que, um dia, ele decidiu deixar para trás. Líder de sua região, Maria da Fé, no Sul de Minas, a 467 quilômetros de Belo Horizonte, José Batista, católico convicto, e mais 15 agricultores fundaram a Apan-fe, a Associação dos Produtores de Agricultura Natural de Maria da Fé – "mas também dos que têm fé”.
O método que José Batista conheceu e resolveu adotar para o plantio de banana numa área de 8 hectares é o ensinado pela Korin Agropecuária, uma empresa brasileira com filosofia baseada na agricultura natural preconizada por Mokiti Okada, de absoluto e total respeito à natureza. Além de ensinar o método e auxiliar os agricultores na implantação, a empresa também produz o frango verde e uma lista de 64 tipos de produtos agrícolas entre frutas, legumes e verduras, além de ovos, água mineral, café, sucos e o composto orgânico chamado Bokashi, recomendado para a recuperação do solo.
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Carlos Martins: “Nunca mais planto na forma convencional” |
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Cerca de 80 agricultores são atendidos em Minas, São Paulo, Rio, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Goiás e Pernambuco, "onde são planejados os cultivos e colheitas, cruzando-se as condições geoclimáticas de cada local para tornar possível o fornecimento dos produtos para um número maior de pontos-de-venda", informa Reginaldo Morikawa, gerente-comercial da Korin. Segundo José Batista, o alimento natural é mais caro, por que ainda é produzido em pequena escala, "mas, em compensação, tudo o que a gente planta, vende. Infelizmente, só atendemos a 1% dos consumidores. Tem 99% esperando. Estamos produzindo o máximo, e o mercado quer mais", afirma o produtor de Maria da Fé.
NATURAL X ORGÂNICA
Em Nova Resende, no Sul de Minas, outra voz que grita contra os agrotóxicos é a de Carlos Martins: "Nunca mais planto com a agricultura convencional, porque não quero ver minha família morrendo com o veneno nem os que vão comer o que planto." Ele é dono de 50 hectares plantado com café, cana, mandioquinha-salsa, cenoura e beterraba. Só 15 hectares, reservados para a mandioquinha, estão dentro dos critérios da agricultura natural. No restante da área, ele ainda utiliza esterco, um adubo típico da agricultura orgânica e não da natural.
"Essencialmente, um tipo de cultivo difere do outro nos conceitos de utilização do solo. Na agricultura natural, a busca da produtividade e do equilíbrio das pragas e doenças é consolidada pela constante melhoria do solo obtida através de manejos que respeitam sua natureza. Daí, a não utilização de matéria orgânica como fonte de nutrientes semelhantes a um adubo. Essa conduta ataca apenas os sintomas, meros indicadores de manejo deficitário do solo. Neste, sim, reside a verdadeira origem dos problemas", explica Sérgio Homma, gerente agrícola da Korin.
"O adubo, ecologicamente, não está correto", frisa outro agricultor mineiro, Pedro Oda, de Cambuí, também no Sul do Estado. Também é contrário à contaminação do ambiente, do alimento e do consumidor, ele adota a agricultura natural há cinco anos. Hoje, sua produção é um dos destaques da Korin: o morango.
Conceito do modelo tradicional é revisto
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"Nossa intenção não é alimentar a humanidade com o frango verde. Todo o nosso esforço está em motivar o produtor a adotar os métodos naturais" - Fernando Augusto de Souza, gerente-geral da Korin |
A Korin Agropecuária é pioneira na criação de frangos conhecidos como alternativos ou verdes sem uso de antibióticos, anticoccidianos, promotores de crescimento e quimioterápicos. A saúde e desempemho dos animais são conseguidos através de princípios naturais: extrato de plantas, óleos, essências e microorganismos benéficos conhecidos como probióticos. A criação respeita o ciclo de vida natural de cada ave, que varia entre 49 e 52 dias. A alimentação também é 100% vegetal e foi desenvolvida pela própria Korin e, em sua maior proporção, é composta por milho e farelo de soja. Utilizar uma ração própria é garantia quanto a não inclusão de substâncias químicas e ingredientes de origem animal. Outras características: ter hidratação controlada abaixo do limite legal de 8% e ser embalados sem cabeça para não agregar peso.
A segurança alimentar e a influência dos alimentos na saúde humana foi balançada pelos últimos episódios da vaca louca, na Europa, que vitimou mais de 200 consumidores da carne bovina infectada, e pela pandemia da gripe aviária, na Ásia, onde milhares de aves foram sacrificadas e 25 pessoas morreram. Sem falar na contaminação do frango com dioxina, substância cancerígena, na Bélgica, e a resistência bacteriana aos antibióticos que, a cada ano, faz mais e mais vítimas.
Nesse cenário, o frango verde é definido por Luiz Carlos Demattê Filho, médico veterinário e gerente de Produção Animal da Korin, da seguinte forma: “um alimento natural que reúne o ideal e o anseio de milhões de consumidores que buscam uma vida saudável e próspera”. Ele explica que os métodos de criação da Korin são revolucionários. As aves não ficam confinadas em gaiolas, mas soltas no chão e botam ovos em ninhos. “Isso é feito para garantir o bem-estar dos animais, pois dessa forma podem expressar comportamentos naturais e inerentes à espécie”, explica.
“A importância da nossa técnica de produção reside em dois pontos: primeiro, porque não é fácil produzir animais neste modelo. Há que se rever todo um sistema de produção já implantado e seguido por muitos e muitos anos, ou seja, quebrar os paradigmas do modelo convencional. Segundo, pela segurança alimentar, pois sabemos que os antibióticos e promotores de crescimento têm sido apontados como indutores de resistência baracteriana em seres humanos”, afirma o veterinário.
MOTIVAÇÃO
A Korin Agropecuária prepara o terceiro contêiner com cerca de 30 mil frangos verdes que estão destinados a 300 supermercados japoneses, único país para onde exporta. “Nossa intenção não é alimentar a humanidade com esse produto. Todo o nosso esforço está concentrado em desenvolver tecnologia, manejo adequado, para oferecer para os produtores. Eles, sim, devem estar motivados para fazer a conversão dos métodos convencionais, que estão praticamente condenados, para os naturais, pois, através deles, o frango absorve os nutrientes, se torna saudável e nunca precisa ser medicado”, afirma o especialista em direito empresarial, Fernando Augusto de Souza, gerente geral da Korin.
Onde encontrar
A Korin mantém uma plataforma de consumo para que os legumes, verduras e frutas cultivados pela agricultura natural da empresa, possam ser solicitados por qualquer pessoa, em qualquer região . O consumidor interessado em ter o alimento natural pode ir a um supermercado e pedir ao gerente para solicitá-lo, que a Korin manda entregar. Outra sugestão é a formação de grupos de consumidores, que podem solicitar os produtos por e-mail, através do Fale Conosco do site www.korin.com.br. Em BH, podem tratar com os supermercados Verdemar e Extra.
Recuperar o solo é o 1º passo
A agricultura natural parte do princípio de valorizar a força da própria terra, sem adubos ou agrotóxico
Rosa Maria
SEGUIR A LÓGICA
A agricultura natural não usa absolutamente nada daquilo a que se dá o nome de adubo, seja de origem química ou animal. O estrume de cavalo, galinha ou mesmo resíduos de peixes devem ser evitados, porque se não têm química transportam a verminose, que se acumula nos vegetais e, quando são ingeridos, chegam até o organismo humano. Até o carvão de madeira, é recusado. Esses elementos não caem do céu nem brotam da terra; são manipulados pelo homem. Portanto, são antinaturais. Mokiti Okada recomenda apenas o uso de compostos naturais para tratar e recuperar o solo: folhas e capins secos. |
Adubo à base de folhas
O composto natural, feito somente com capim, decompõe-se rapidamente, mas o de folhas de árvores demora muito mais, devido às fibras e nervuras, que são duras. Deve-se deixá-lo por longo tempo até sua suficiente decomposição. A razão disso é que as pontas dos pêlos absorventes têm o seu crescimento prejudicado pelas fibras das folhas utilizadas como compostos orgânicos. Mokiti Okada também é contra arejar a raiz das plantas. Na sua opinião, isso não tem sentido, pois se é um solo que até deixa passar o ar, nele se processa o bom desenvolvimento das raízes.
Outro ponto importante da agricultura natural é o aquecimento do solo. No caso das radicelas e dos pelos absorventes das verduras comuns, basta fazer uma camada de composto natural com mais ou menos 30 centímetros numa profundidade aproximadamente igual. Tratando-se, por exemplo, de vegetais em que se visam às raízes, a profundidade deve ser compatível com o comprimento da raiz de cada planta. O composto à base de capim deve ser bem misturado com a terra, utilizando-se o composto à base de folhas de árvores para formar o leito abaixo do solo.
Okada sempre obteve bons resultados no uso do mesmo solo para culturas repetitivas. Ele explica que para vivificar o solo e ativar a sua força, também é recomendado fazer culturas repetitivas. Desta forma, o solo vai se adaptando naturalmente. Quanto às pragas, com a eliminação dos adubos elas tendem a reduzir significativamente. Na realidade, são os adubos os maiores provocadores das pragas que atacam os vegetais e o solo.
Luta pela vida
Os principais objetivos da agricultura natural são:
• Produzir alimentos que incrementem cada vez mais a saúde do homem;
• Recuperar o equilíbrio e propriedades do solo, da planta, do animal e do meio ambiente;
• Ser espiritual e economicamente vantajosa tanto para o produtor quanto para o consumidor;
• Ser praticada por qualquer pessoa, até em casa e pequenos sítios. Além disso, ter caráter permanente;
• Respeitar a natureza e conservá-la;
• Garantir alimentação para toda a humanidade independente do crescimento demográfico.
Bokashi é o insumo adotado
Composto seco resgata as qualidades naturais do solo
O primeiro desafio de quem deseja plantar pelo método da agricultura natural é avaliar a condição do solo, o que pode ser solicitado aos técnicos da Korin Agropecuária. As recomendações do Departamento de Planejamento Agrícola estão concentradas na utilização do Nutri Bokashi, um composto seco feito a partir de subprodutos agroindustriais como farelos de arroz, trigo e mamona. Esses elementos funcionam como fermentadores da matéria orgânica e ativadores da microbiota benéfica do solo, úteis ao desenvolvimento e sanidade vegetal.
A lavoura, no entanto, não é a única aplicação encontrada pela Korin para o composto natural. Ele também está sendo empregado na produção de frangos verdes. Aqui, ele ganha o nome de Bokashi Frango e tem sua composição adaptada: “microorganismos benéficos, probióticos, substâncias que alimentam as bactérias benéficas, permitindo seu desenvolvimento pleno no trato gastrointestinal das aves e, assim, beneficiando as mesmas”, explica o médico veterinário Luiz Carlos Demattê Filho, gerente de Produção Animal da Korin. O Bokashi Frango está deixando de ser um produto experimental e começa a ser vendido no mercado a partir do mês que vem. Para solicitar assistência técnica e treinamentos: (19) 3576 1354 ramal 228 e e-mails: agricola@korin.com.br e producaoanimal@korin.com.br |
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