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“O homem que esquece ter recebido de Deus a bênção de uma vida nova, assemelha-se aos bichos.” Mokiti Okada* - idealizador do Movimento para a Agricultura Natural |
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Antibióticos em nossa alimentação
23/1/2003
LUIZ CARLOS DEMATTÊ FILHO1
Em meio à toda agitação de um dia repleto de compromissos, mal temos tempo para saborear tranqüilamente os alimentos que ingerimos e, ainda menos, para refletir sobre a qualidade ou os riscos que muitos deles potencialmente possuem. Vale alertar que tais riscos não se limitam apenas àqueles que já fazem parte de discussões cotidianas nos meios de comunicação, tais como, excessos de gordura e colesterol e problemas diversos relacionados à dietas inadequadas, causando danos à asúde. Nesta oportunidade abordaremos os problema decorrentes da utilização de antibióticos na criação de animais destinados à produção de alimentos (principalmente frangos, aves produtoras de ovos e suínos).
Ultimamente, os relatos de óbitos resultantes de infecções bacterianas que não se curam com os antibióticos prescritos pelos médicos vêm se tornando preocupantes, principalmente quando se trata de infecções hospitalares. Somente nos Estados Unidos, estima-se que 160 mil pessoas tenham perdido a vida devido às chamadas super infecções. Em relatório publicado em 28/04/2000, o Comitê Científico de Nutrição Animal alertou toda comunidade européia a respeito do desenvolvimento de bactérias resistentes à Avilamicina (antibiótico usado como promotor de crescimento para frangos e suínos a mais de 10 anos). Embora a Avilamicina não seja utilizada na terapêutica humana, um outro composto muito semelhante, a Everninomicina está sendo desenvolvida para tal fim e há a preocupação de que as bactérias presentes nos animais, adquirindo resistência à Avilamicina possam ser transmitidas ao ser humano, comprometendo totalmente a eficácia da Everninomicina. No mesmo relatório, também consta a seguinte conclusão: “a transferência de enterococos resistentes à Avilamicina/Everninomicina de animais para o homem ocorre através da cadeia alimentar, mas sua extensão é impossível de se estimar”. Durante as últimas décadas, a produção de alimentos se intensificou ao máximo, procurando atender a sempre crescente população urbana. No caso dos animais de criação destinados à produção de alimentos, destacando-se o frango como a criação que mais absorveu as novas tecnologias de produção, houve um enorme aumento no volume de produção devido ao uso dos promotores de crescimento.
Os promotores de crescimento nada mais são do que os próprios antibióticos adicionados em pequenas doses à ração por praticamente toda a vida produtiva do animal, propiciando uma maior eficiência na conversão da ração em carne, ovos, etc. e, conseqüentemente, um menor custo de produção.
À primeira vista, a utilização dos promotores de crescimento gera uma série de benefícios econômicos, entretanto facilita-se a seleção de bactérias resistentes no organismo do animal. Estas, ao infectarem o organismo humano causam o problema das infecções de difícil tratamento ou impossíveis de serem curadas por antibióticos, como descrito anteriormente.
Se por um lado o volume aumentou e os custos de produção diminuíram, a pesquisa científica ainda não conseguiu comprovar a ausência de riscos que esta tecnologia pode acarretar, o que leva a crer que os danos causados pelos antibióticos sejam muito maiores do que a ciência, com seus métodos atuais, conseguiu detectar.
Observando-se o gráfico a seguir, com dados referentes à União Européia, é possível ter uma noção das dimensões da utilização de antibióticos na produção animal.
Dados dos Estados Unidos mostram que, em 1998, 35,5% das 22 mil toneladas de antibióticos produzidos, foram destinados ao uso em animais.
Se apenas a observação do volume de antibióticos destinados à produção animal já causa espanto, a situação fica mais preocupante quando se compara a lista de antibióticos utilizados em animais de criação e aqueles descritos nos compêndios médicos.
Mas deixemos tal discussão para uma próxima oportunidade, concluindo-se por hora que tais esclarecimentos tem por objetivo dar maiores subsídios ao consumidor no momento em que este vai ao supermercado e tem de tomar a decisão entre adquirir este ou aquele alimento. Também, é imprescindível despertar a opinião pública para os potenciais problemas que poderão ocorrer a longo prazo se medidas preventivas não forem tomadas hoje mesmo.
Assim fica o alerta para aqueles que levam para dentro de suas casas os alimentos mais baratos que encontram, acreditando estar realizando um benefício à família com a economia de alguns centavos.
(1) Médico Veterinário – Gerente de Produção Animal Korin Agropecuária Ltda (2) Zootecnista – Deptº de Produção Animal da Korin Agropecuária Ltda |
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