O bem-estar das galinhas poedeiras, quando elas podem expressar seus comportamentos naturais da espécie, as torna mais produtivas. É o que mostra um estudo da zootecnista Dayana Cristina de Oliveira Pereira – o site da revista Avicultura Industrial apresentou, recentemente, um resumo da pesquisa.

O trabalho avaliou os efeitos de alguns aspectos do bem-estar das galinhas em dois aviários da Korin Agropecuária no interior paulista. Em ambos as aves foram criadas livres das gaiolas, uma das práticas mais cruéis que a indústria de ovos costuma adotar, e responderam com uma produção de ovos acima da média para a espécie. Um exemplo: as galinhas começaram a pôr ovos na 15ª semana de idade, três semanas antes do esperado. Mas a principal descoberta foi o ganho que alguns aspectos, digamos, sentimentais, podem impulsionar.

Num dos aviários, as poedeiras tinham a companhias de galos – algo pouco comum nas granjas de ovos. Foram justamente essas as aves mais produtivas, superando os resultados daquelas que se desenvolveram num aviário livre de galos. A galinhas que compartilharam o espaço com os machos produziram mais (cerca de 84 ovos por 100 galinhas, contra aproximadamente 76 ovos por ave no galinheiro sem galos). A taxa de mortalidade das poedeiras acompanhadas foi metade das que viviam sem os machos.

Liberdade para expressar comportamento natural

Pode parecer apenas uma curiosidade, mas não é. De fato, um dos fundamentos do bem-estar animal são as chamadas cinco liberdades, uma espécie de declaração dos direitos dos bichos. Resumidamente, considera-se que, para que se sintam bem, os animais devem estar livres de fome e sede, de dor, doença e injúria, de medo e estresse e, finalmente, ter liberdade de expressar os comportamentos naturais da espécie – entre os quais o comportamento reprodutivo. Nesse sentido, o contato com indivíduos do sexo oposto fez bem para as poedeiras.

É bom ressaltar que a presença de galos nos viveiros não é uma exigência das normas de boas práticas para se obter o selo Certified Humane, que assegura a produção de ovos com respeito ao bem-estar das galinhas. Mas estudos como esse reforçam como é importante propiciar conforto e qualidade de vida às espécies que dão origem ao nosso alimento – e como isso pode resultar em ganhos para os criadores.

A autora do estudo reforça um aspecto importante: a crescente preocupação dos consumidores com as questões relacionadas ao bem-estar animal. Ela cita, inclusive, a presença no Brasil do selo Certified Humane. O tema está, de fato, na agenda de quase todo mundo, da academia ao mercado.

Pioneirismo através da filosofia de Mokiti Okada

A produção de frangos naturais da Korin foi pioneira no Brasil e precursora de tendências, na medida em que se antecipou em muitos aspectos atualmente considerados de grande importância, como a não utilização de antibióticos, promotores de crescimento, anticoccidianos e demais quimioterápicos comumente utilizados na produção de frangos.

Os conceitos e os princípios da Agricultura Natural foram colocados em prática nos modelos produtivos que a Korin desenvolveu, e os mesmos se mostraram capazes de promover inovações tecnológicas importantes na produção agropecuária. Estes modelos se aplicam na produção de frangos e ovos. As aves não ficam presas em gaiolas, podem andar, ciscar, abrir as asas para se refrescarem, botar os ovos em ninhos individuais e empoleirar. Estabelecem relações sociais e hierárquicas que promovem sensação de segurança nos lotes.

Fonte: Certified Humane Brasil (Clique aqui para visualizar a matéria original)