A imigração japonesa e a Agricultura Natural

Postado em 18 de junho de 2020

Do Kasatu Maru aos primeiros praticantes da Agricultura Natural: a importância da imigração japonesa para a produção de alimentos no país 

 

Navio Kasatu Maru

O Kasatu Maru, que trouxe os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil em 18 de junho de 1908

 

No dia 18 de junho celebramos o início da imigração japonesa no Brasil e aproveitamos para relembrar as origens da Korin, criada em 1994, a partir da idealização e empenho de um imigrante nascido no Japão: Tetsuo Watanabe (1940-2013). 

Os primeiros japoneses chegaram ao nosso país pelo Porto de Santos, em 18 de junho de 1908 a bordo do navio Kasatu Maru.

A partir do Porto de Kobe, o navio trouxe 781 imigrantes japoneses ao Brasil, em uma viagem que duraria 52 dias e mudaria, definitivamente, a relação entre as duas nações.

A vinda de trabalhadores japoneses para o Brasil foi feita em comum acordo entre os dois países. Isso porque o Brasil necessitava de mão de obra para trabalhar nas lavouras de café, especialmente no interior de São Paulo, e o Japão tinha necessidade de manter sua população empregada, uma vez que os índices demográficos no país cresciam em um ritmo acelerado. 

Com o passar dos anos e com a vinda de mais famílias japonesas para cá, o Brasil, especialmente o Estado de São Paulo, se tornou a maior colônia japonesa fora do Japão, em número de habitantes (são mais de 1,5 milhão de nikkeis no país, termo usado para denominar os japoneses e seus descendentes). 

Hoje, o Brasil admira e aprende diariamente com o povo japonês, tendo inserido uma série de costumes e tradições do oriente no dia a dia dos brasileiros, seja na gastronomia, na agricultura, na moda, nas artes ou nas religiões. 

 

A Agricultura Natural que veio do Japão 

A Korin está estreitamente ligada ao Japão e à imigração japonesa ocorrida em meados do século XX, por discípulos do fundador da Igreja Messiânica Mundial e criador da Agricultura Natural, Meishu-Sama (nome religioso de Mokiti Okada – Tóquio, 1882-1955). 

Fundada em 1935, a Igreja Messiânica Mundial, que tem como princípio religioso a prática do Johrei (transmissão da Luz de Deus através das mãos), do Belo (artes), e da alimentação rica em energia vital (Agricultura Natural), rapidamente adquiriu grande alcance entre os japoneses. Ao longo dos anos, os seguidores de Mokiti Okada levaram seus ensinamentos a outros países, incluindo o Brasil.

 

“A agricultura atual, sem saber, menosprezou a força do solo, chegando à errônea conclusão de que, para se obterem melhores resultados, deveria haver interferência humana. Com base nesse raciocínio, passou a utilizar esterco, adubo químico, etc. Dessa maneira, a natureza do solo foi pouco a pouco se degradando, sofrendo transformações, e sua força original acabou diminuindo (…)

A qualidade do solo é um fator importantíssimo, pois representa a força primordial para o bom ou mau resultado da colheita (…). O método para fertilizar o solo consiste em fortalecer sua energia. Para isso, é necessário, primeiramente, torná-lo puro e limpo, pois quanto mais puro o solo, maior é a sua força para o desenvolvimento das plantas”.

(Mokiti Okada em 1° de julho de 1949 – Introdução à Agricultura Natural, coletânea Alicerce do Paraíso, volume 05).

mokiti okada

O preconizador da Agricultura Natural, Mokiti Okada (Meishu-Sama)

 

No ano de 1954 chegava em terras brasileiras as primeiras imagens do fundador e da Luz Divina ao Estado do Amazonas, entregues à jovem Teruko Sato, com apenas 18 anos de idade, pelas mãos do próprio Okada. 

Teruko Sato também trouxe consigo dez Ohikari (medalhas consagradas utilizadas pelos messiânicos para ministrar Johrei) para serem outorgados às pessoas que desejassem tornar-se messiânicos. 

Dessa forma, iniciaram-se efetivamente as atividades de expansão da religião messiânica e, no dia 15 de setembro de 1955, foi realizada a outorga do primeiro Ohikari, em terras brasileiras. 

Devido às limitações de idioma, as atividades religiosas se concentraram nos estados de São Paulo e do Paraná, onde havia muitos imigrantes japoneses. 

Rapidamente, a fé messiânica começou a conquistar adeptos em nosso País e, em 1962, já contava 1.315 ministrantes de Johrei. 

No ano de 1964, o então ministro da Igreja Messiânica, Tetsuo Watanabe, se mudou do Japão para a cidade do Rio de Janeiro, onde iniciou seu trabalho missionário. Após a formação de muitos messiânicos, abriu novas frentes de expansão da fé em diversas regiões do País, além de criar a Fundação Mokiti Okada, entidade sem fins lucrativos, nascida em 1971. 

Através da idealização de Watanabe, em 1994, foi instituída em São Paulo a Korin Agropecuária, nascida com a missão de fomentar, escoar e comercializar a produção dos agricultores praticantes do método da Agricultura Natural preconizado por Mokiti Okada. 

A Korin, fundada com visão empresarial baseada na filosofia e no método de Agricultura Natural, privilegia o perfeito equilíbrio entre preservação e uso dos recursos naturais e se tornou uma referência nacional e internacional quando o assunto é a produção sustentável de alimentos saudáveis, que não comprometem o meio ambiente nem a saúde do agricultor e do consumidor. Hoje, graças ao empenho de seus colaboradores, seus produtos e serviços estão presentes em todos os estados do País. 

Ao centro, Tetsuo Watanabe e o primeiro diretor da Korin, Marco Antonio Baptista Resende (atual presidente da Igreja Messiânica Mundial do Brasil), nas granjas experimentais de frangos Korin em meados da década de 1990.

Ao centro, Tetsuo Watanabe e o primeiro diretor da Korin, Marco Antonio Baptista Resende (atual presidente da Igreja Messiânica Mundial do Brasil), nas granjas experimentais de frangos Korin em meados da década de 1990.

Graças à Agricultura Natural vinda do Japão, a Korin (cujo nome significa Anéis de Luz em japonês), se tornou pioneira na produção de frangos livres de antibióticos no Brasil, além de produzir e comercializar uma ampla linha de produtos orgânicos, sustentáveis e sem uso de transgênicos. Em 2019, a empresa completou 25 anos de história e você pode conhecer um pouco sobre essa trajetória, assistindo a um documentário especial com depoimento dos nossos pioneiros produzido especialmente para a ocasião. Clique aqui e confira.

Assim, nesse 18 de junho, expressamos a nossa gratidão e singela homenagem a todos os pioneiros da Agricultura Natural no Brasil e a todos aqueles que saíram do Japão e fizeram do Brasil a sua casa. 

 

Para saber mais:

 

A Arca de Noé do século XXI 

Por Tetsuo Watanabe 

 

Tetsuo Watanabe

O fundador da Korin, Tetsuo Watanabe, em 1993, no polo de Agricultura Natural de Ipeúna (SP) onde funciona, até hoje, a produção da empresa.

 

Atualmente, renomados cientistas, em várias partes do mundo, vêm alertando que a extinção da biodiversidade sinaliza o extermínio da espécie humana. 

Na década de 1930, no Japão, Meishu-Sama (Mokiti Okada)  já havia previsto esse risco ao defender o desenvolvimento da Agricultura Natural, com base no respeito à Lei da Natureza. Em um de seus ensinamentos, ele destacou que a agricultura convencional, fundamentada na utilização de agrotóxicos cada vez mais fortes, produziria, no futuro, grande quantidade de alimentos, mas inadequados ao consumo humano. 

O que não se percebe atualmente, é que a opção por esse tipo de agricultura não somente vem afastando o homem de uma alimentação saudável rica em energia vital*, mas também constitui a causa principal da extinção da biodiversidade do planeta. 

Certa vez, numa das conversas que tive com meu pai, relatei as diversas experiências de milagres que eu estava vivenciando com a prática do Johrei à frente da difusão messiânica no Brasil. Após me ouvir, ele disse: 

Sei que você está fazendo um bom trabalho de difusão através do Johrei. Porém, sinto que ainda não está dando a devida atenção à Agricultura Natural. Quando você compreender sua importância e desenvolver esse método agrícola, conseguirá entender o porquê de ele ser considerado por Meishu-Sama como coluna de salvação da humanidade. E, sem dúvida, conquistará a verdadeira qualificação para servir como seu instrumento. 

Essas palavras do meu pai despertaram em mim o interesse em praticar a Agricultura Natural e aprender com a Natureza como manter e preservar a vida dos seres vivos, principalmente do ser humano. Concluí, após alguns anos de prática, que, sem o desenvolvimento da Agricultura Natural, que não faz uso de agrotóxicos, será impossível impedir a extinção da cadeia alimentar provocada pelo método convencional. 

(…) Será que a sociedade não sabe que os fertilizantes químicos e agrotóxicos são, na verdade, os grandes poluidores do solo? Que eles enfraquecem a vida dos seres que constituem a biodiversidade e promovem o seu extermínio?  

Quando voltamos a nossa atenção para a produção mundial e abordamos o assunto dos alimentos indispensáveis à sobrevivência dos seres humanos, constatamos uma situação preocupante. Trata-se das sementes transgênicas, produzidas atualmente em larga escala. A transgenia cria o monopólio da indústria alimentícia, ao destruir e retirar de circulação as sementes que a Natureza oferece gratuitamente aos seres humanos.

Meishu-Sama nos ensinou que todo ser vivo é constituído de espírito e matéria. O corpo físico do ser humano absorve a matéria dos alimentos naturais, e seu corpo espiritual absorve seu espírito. Isso significa que os alimentos ideais ao consumo humano são os dotados de elevada energia vital, cuja essência é espiritual. 

Desconsiderada a importância da energia vital presente nos alimentos naturais, a engenharia genética baseia-se na ilusão de que os transgênicos apresentam benefícios iguais ou superiores aos alimentos naturais. Afinal, quem garante que os alimentos geneticamente modificados e os impregnados de agrotóxicos são realmente benéficos ao ser humano? 

As antigas escrituras mencionam que a humanidade experimentou um grande dilúvio. E que coube a Noé, antes do dilúvio, construir uma grande arca, a fim de salvar, pelo menos, os representantes de cada espécie para dar continuidade à vida após o dilúvio. 

Usando essa lógica e adaptando-a ao momento em que vivemos, o que nos resta é pensar em uma situação semelhante: criar uma grande arca (…) contendo todas as sementes naturais e puras de vegetais, o que garantirá, assim, no futuro, alimentos saudáveis necessários à preservação da espécie humana.  

(Extraído do livro “O cultivo da felicidade”, de Tetsuo Watanabe) 

 

* Energia Vital: termo usado na religião messiânica para definir a energia espiritual que dá origem à vida dos seres vivos e a mantém.  

 

Fontes:
www.messianica.org.br
https://www.al.sp.gov.br/
https://brasilescola.uol.com.br