Ipeúna é nomeada a Capital da Agricultura Natural

Postado em 6 de janeiro de 2016

Dia 05 de maio foi instaurado como a data em comemoração ao método de cultivo criado por Mokiti Okada

O ano de 2015 não poderia terminar com mais alegria para todos os adeptos da filosofia da Agricultura Natural, preconizada e difundida por Mokiti Okada no Japão, desde os anos 1930: Ipeúna, município do interior de São Paulo que abriga o polo industrial da Korin Agropecuária, o Centro de Pesquisa Mokiti Okada e a Korin Meio Ambiente, foi nomeada, oficialmente, em 09 de novembro, a Capital da Agricultura Natural no Brasil, por seu prefeito, Ildebran Prata. A data escolhida para celebrar a Agricultura Natural foi 05 de maio. “Para nós é um privilégio muito grande participar deste marco histórico. Há muito tempo trabalhamos com estas instituições na expansão da Agricultura Natural em Ipeúna e, agora, com a lei, teremos condições de trabalhar cada vez mais, para que o nosso município, de fato, faça jus ao título de ‘Capital da Agricultura Natural no Brasil’”, disse o prefeito.
Com a sansão da lei, fica estabelecido que todos os impressos oficiais, materiais de divulgação e materiais gráficos produzidos por órgãos públicos da cidade, deverão apresentar a expressão: “Capital da Agricultura Natural”. A nomenclatura também deverá constar, a partir de agora, abaixo do brasão do município.
Ações de incentivo à Agricultura Natural, como o projeto “Horta na Escola”, também serão desenvolvidas. A disciplina, que deverá se tornar oficial já no próximo ano letivo nas escolas municipais, tem o intuito de incentivar o convívio das crianças em idade escolar com a terra e seus frutos, demonstrando a importância, desde cedo, da alimentação natural. As hortas municipais também seguirão os princípios deste método de cultivo e a prefeitura ficará encarregada de instaurar o programa “Horta em Casa e Vida Saudável” que visa estimular a população a cultivar hortas caseiras.
Com tantos programas voltados para a Agricultura Natural, a prefeitura ainda projeta criar a “Feira da Agricultura Natural e de Produtos Sustentáveis” a ser realizada semanalmente no centro da cidade, e a “Comissão Municipal da Agricultura Natural, que ficará encarregada de estabelecer normativas municipais para a qualificação da Agricultura Natural e propor medidas que visem incentivar e fixar o município de Ipeúna como a Capital da Agricultura Natural.

A cerimônia

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A cerimônia da promulgação da lei nº 1.228/2015 foi realizada na Câmara Municipal de Ipeúna, em 23 de dezembro, dia do natalício de Mokiti Okada e contou com a presença do vice-presidente da Igreja Messiânica Mundial do Brasil, reverendo Walter Grazzi, do diretor superintendente da Korin, Reginaldo Morikawa, do diretor industrial da empresa e coordenador geral do CPMO, Luiz Carlos Demattê Filho, do deputado estadual Aldo Demarchi, do presidente da Câmara Municipal de Ipeúna, vereador Alécio Pazetto, do responsável da IMMB na área Rio Claro, ministro Daniel Gibrail Tannus, além de ministros da IMMB e colaboradores da Korin.
“O mundo paradisíaco, segundo Mokiti Okada, é um lugar onde existem pessoas saudáveis que usufruem de alimentos plenos de energia vital, que convivem em harmonia, objetivando um mundo de paz e que desfrutam da beleza natural e da beleza criada pelas mãos humanas, através de arte de alto nível. Tenho convicção de que o empenho de todos os envolvidos na expansão da Agricultura Natural, vão no sentido da construção do ideal de Mokiti Okada”, explicou o vice-presidente da IMMB, reverendo Walter Grazzi, durante a cerimônia de assinatura da lei.
O reverendo destacou a importância da prática da Agricultura Natural em um mundo ainda dominado pelas produções com fertilizantes, defensivos químicos, antibióticos e outras substâncias que causam danos à natureza e à saúde. “Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, 3,5 a 5 milhões de pessoas são acometidas por intoxicações agudas por agrotóxicos a cada ano no mundo. Este único fato já nos mostra a importância para o desenvolvimento urgente de formas naturais de produção de alimentos e é exatamente nisso que estamos empenhados, para que possamos produzir em larga escala e desenvolver mais pesquisas inovadoras que ampliem a produção em sistema de Agricultura Natural. Apesar das dificuldades, temos superado adversidades e nos posicionado, cada vez mais, como um modelo viável que consegue harmonizar interesses produtivos e comerciais, com o desenvolvimento tecnológico, com a preservação ambiental e o bem-estar social e econômico de produtores e consumidores”, disse.

A cidade que acolheu a Korin

Crédito foto: prefeitura municipal de Ipeúna

Vista aérea de Ipeúna

Com aproximadamente 6 mil habitantes, o pequeno município de Ipeúna, no interior de São Paulo, foi fundado em 1964 e se tornou o berço de uma das maiores produções de frangos livres de antibióticos do Brasil: a Korin.
É em meados de 1890, que a história da cidade começa, quando o fazendeiro Vicente Barbosa, considerado o fundador do município, realizou a doação de uma área de seis alqueires de terras, na região chamada Santa Cruz da Invernada. No local, foi erguida uma capela, em homenagem à padroeira: Nossa Senhora da Conceição. A notícia logo se espalhou e muitas pessoas começaram a povoar as terras, originando assim, a comunidade Passa Cinco, que, anos mais tarde, viria a se tornar a cidade de Ipeúna.
Segundo a prefeitura, o nome “Passa Cinco” foi uma homenagem ao rio, de mesmo nome, que banha toda a região. “Quem partisse da cidade de São João do Rio Claro, com destino à Santa Cruz, tinha que atravessar cinco águas. A primeira e a última a se transporem ficaram conhecidas como Passa Cinco”, explicam.
No ano de 1906, para acabar com as confusões, em razão da duplicidade de nomes, o distrito passou a se chamar “Ipojuca” (água suja, em tupi), devido às águas barrentas de um córrego dos entornos da cidade. O nome permaneceu até 1944, quando a vila foi, definitivamente, batizada de Ipeúna, cujo significado é “ipê preto”.
Apesar da maior parcela da população ser urbana, grande parte tira seu sustento do campo, em empresas agrícolas, como o caso da Korin.
Em 1990, a Fundação Mokiti Okada, adquiriu do reverendo da Igreja Messiânica, Pedro Partezan, um dos líderes da expansão da Agricultura Natural no Brasil, a propriedade na qual a Korin Agropecuária, o CPMO e Korin Meio Ambiente desenvolvem suas atividades atualmente. O propósito inicial desta empreitada era o de promover a produção de alimentos naturais para que o local servisse de estímulo e modelo, de como seria possível se estabelecer uma agricultura sustentável, que respeitasse o meio ambiente e, cujos frutos, servissem como um alimento ideal para todos os seres humanos.

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Vista Aérea Polo de Agricultura Natural da Korin e Centro de Pesquisa Mokiti Okada, Ipeúna/ SP.

O trabalho desenvolvido pela Korin no local é tão relevante que, em 2013, antes da sanção do dia da Agricultura Natural, o governador de São Paulo, Geraldo Alckimin, já havia classificado Ipeúna como a Capital da Agricultura Natural no Brasil, quando visitou o local e conheceu de perto as atividades desenvolvidas pela Korin no âmbito da produção de alimentos orgânicos e de frangos livres de antibióticos, criados com bem-estar animal. O polo industrial é reconhecido como modelo de produção sustentável pela EMBRAPA Meio Ambiente, o que também é um grande marco para a cidade. “A Korin oferece a maior arrecadação do município, sendo também a maior empregadora”, explica o diretor industrial da Korin Agropecuária, Luiz Carlos Demattê Filho.
Nos últimos três anos, a Korin recebeu na unidade de Ipeúna mais de 3 mil pessoas. Deste total, 458 foram estudantes e professores de diversas universidades brasileiras, além da visita de produtores, técnicos, pesquisadores e diretores de empresas dos EUA, França, Japão, China, Reino Unido e países da África e Américas Central e do Sul.
Da mesma forma, os programas “horta em casa e vida saudável” e “horta nas escolas” desenvolvidos pela Fundação Mokiti Okada, têm contribuído para o aprendizado e na conscientização de milhares de crianças e de famílias que passam a vivenciar em suas casas e escolas os maravilhosos dons da natureza, presentes no crescimento e amadurecimento de alimentos naturais saborosos. No âmbito da Igreja Messiânica Mundial do Brasil, é desenvolvido um dos maiores projetos de hortas caseiras do mundo, com mais de 50 mil famílias adeptas ao programa.
Além da atividade industrial, e agrícola, Ipeúna investe também no turismo de aventura, aproveitando as belezas naturais como grutas, cachoeiras e trilhas, além do Parque Ecológico Henriqueta Barbeta – Salto do Nhô Tó e da Serra do Itaqueri, ponto mais alto do município, que possui 1028 metros de altitude. Celebrações católicas, como a festa do bairro rural de Santo Inácio, o Dia da Padroeira – Nossa Senhora Imaculada Conceição e a Festa de São Sebastião, também atraem muitos moradores e turistas.
A relação entre a Korin e a administração da cidade também é positiva. Todos os anos, o prefeito Ildebran Prata e o vice José Antonio Campos, participam do Culto em Sufrágio aos Espíritos dos Animais, um evento de extrema importância para a empresa e que é prestigiado pelas duas maiores autoridades do município.
A Korin e seus colaboradores carregam muito carinho pela cidade e agradecem aos ipeunenses por abrirem as portas para a Agricultura Natural, acreditando na importância da alimentação natural para uma vida mais feliz e saudável.

Por Fernanda Silvestre