Como interpretar os rótulos das embalagens dos produtos no mercado?

em 24 de abr de 2024

Karen Longo (Consultora em Nutrição Korin)

Quem nunca parou no supermercado e ficou em dúvida na hora de escolher um alimento por causa do rótulo? A situação é recorrente porque a maioria das embalagens contém nomes ou fórmulas pouco conhecidas.

Desde 2001, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão responsável pelas normas de rotulagem de alimentos industrializados, implantou a obrigatoriedade de informações nutricionais nos rótulos dos produtos.

Porém, ainda assim, compreender as informações das embalagens para tomar a decisão de compra não é tão fácil e dedicar atenção aos dados é fundamental para garantir escolhas mais saudáveis.

 

O que procurar nos rótulos dos alimentos?

 

  • Lista de ingredientes

A ordem dos ingredientes que aparecem na lista é decrescente. Isso significa que aparecem em ordem de maior concentração, para o que tem em menor concentração. Por exemplo: o primeiro ingrediente da lista, é o que mais tem nesse produto e assim, sucessivamente, para o segundo, terceiro, etc. Esse é uma boa maneira de analisar se o alimento é rico em açúcar; no caso de pães e massas integrais, dá pra saber se os cereais integrais são os que estão em maior quantidade pela ordem na lista de ingredientes, etc.

Quanto menor o número de ingredientes de um produto, melhor é a qualidade do alimento.

Itens importantes para atenção:  melhorador de farinha, aromatizantes, corante caramelo IV, gordura hidrogenada, açúcar invertido ou algo sem especificação como: proteína vegetal (sem dizer a origem vegetal da proteína), por exemplo, indicam que o produto é um alimento ultra processado.

Atenção para ingredientes “camuflados”

Açúcar camuflado – O açúcar pode aparecer “escondido” na lista de ingredientes. Por exemplo: glicose, gucose, xarope de milho, maltodextrina, maltose, etc.

Sódio camuflado – O Sódio pode aparecer “escondido” na lista de ingredientes. Por exemplo: adoçantes (ciclamato de sódio e sacarina sódica), fermentos (bicarbonaro de sódio), realçadores de sabor (glutamato monossódico e conservantes (nitrito de sódio e nitrato de sódio).

Gordura trans camuflada – Esse ingrediente já foi banido do processo industrial de alimentos em vários países no mundo por seus malefícios pra saúde. Mas ainda podem estar presentes nos alimentos em forma de: gordura vegetal hidrogenada, gordura parcialmente hidrogenada, óleo vegetal hidrogenado.

 

  • Corantes e aditivos químicos

Esses ingredientes geralmente aparecem no final da lista porque são usados em quantidades pequenas, mas suficientes para que o alimento não seja considerado “natural”. Quando somados a outros alimentos consumidos no decorrer do dia, substâncias assim podem resultar em ingestão significativa de elementos indesejados.

 

  • Tabela nutricional

As empresas são obrigadas a informar, em formato de tabela, a quantidade de calorias (valor energético), carboidratos (aqui entram os açúcares), proteínas, gorduras totais (saturadas, insaturadas e trans), fibras e sódio.

 

  • Fique de olho na porção indicada

Para que a informação nutricional faça sentido, é necessário reparar na porção indicada no rótulo, pois todos os dados apresentados são referentes à qualidade específica detalhada ali. Dados obrigatórios nesse local incluem valor energético, carboidratos, proteínas, gorduras totais, saturadas e trans, além de fibra alimentar e sódio.

Para cada nutriente a tabela apesenta a quantidade em gramas (g) ou miligramas (mg). Também é informado o percentual do valor diário (VD%), equivalente a proporção de cada ítem em relação a quantidade recomendada para uma dieta saudável de um adulto (2.000Kcal).

A ingestão de sódio para um adulto saudável não deve ultrapassar os 2400mg por dia. A quantidade de sódio nos produtos deve ser informada para cada 100g ou 100ml e para cada porção por embalagem dos alimentos.

 

  • Destaques obrigatórios nos rótulos

T de transgênico

A legislação brasileira determina que as empresas precisam colocar o triângulo com o T, indicando a presença de qualquer ingrediente transgênico (geralmente derivados do milho ou soja) quando a porcentagem dele no produto for maior do que 1%. Isso faz com que muitas empresas escapem, como muitas margarinas.

Uma ação do Idec e do Ministério Público Federal levou a Justiça Federal a decidir que todos os produtos que contém transgênicos devem ter o alerta no rótulo, não importa a porcentagem. No entanto, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos continua pressionando judicialmente e o caso não está encerrado.

 

Alergias alimentares

Não é marketing. As empresas precisam informar se o seu produto pode ser um risco para quem sofre das alergias mais comuns: a ovos, leite, amendoim, trigo (glúten), castanhas, soja, aveia, centeio (glúten), cevada (glúten). É por isso que embaixo da lista de ingredientes sempre tem a informação “não contém glúten”, por exemplo.

E se existe risco de contaminação cruzada, ou seja, se a empresa manipula o produto no mesmo lugar onde manipula os possíveis alergênicos, ela é obrigada a informar em caixa alta também: “pode conter traços de leite”, etc.

 

Certificações

Algumas empresas que possuem produções diferenciadas, como a Korin, apresentam em suas embalagens certificados que atestam a procedência daquele alimento. É o caso do selo NAAU, que garante que os frangos e ovos da empresa não recebem antibióticos e anticoccidianos; o selo Certified Humane, que garante que as aves são criadas dentro das normas de bem-estar animal e o IBD, que atesta o não uso de grãos transgênicos nas rações das aves.

Saiba mais sobre as certificações da Korin clicando aqui.

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