O alto valor nutricional dos ovos e sua relação com a saúde metabólica

 

Durante um tempo, o consumo de ovos no dia a dia era limitado, tendo em vista que esse alimento foi considerado maléfico para a saúde cardiovascular. Hoje, grande parte dos estudos científicos e das recomendações de profissionais destacam o seu alto poder nutricional, consumido de forma equilibrada na rotina alimentar.

 

O ovo e sua composição nutricional

Do ponto de vista nutricional, os ovos reúnem uma boa concentração de lipídios essenciais, proteínas, vitaminas, minerais e oligoelementos. As proteínas dos ovos se concentram tanto na clara, como na gema, enquanto os lipídeos, vitaminas e minerais são concentrados na gema.

Em relação ao seu conteúdo proteico, destaca-se que o ovo contém em torno de 12,5 gramas a 15,9 gramas por 100g de ovo cru, dependendo do seu tamanho e da sua procedência. De acordo com estudo de Kuang et al. (2018), para humanos, os ovos são uma das melhores fontes de proteínas de alta qualidade, em segundo lugar depois do leite materno. Tal fator foi destacado por conta de que as proteínas de ovos possuem antioxidantes, como a fosvitina que concentra os componentes chamados de fosfoserinas, ovotransferrina e ovoalbumina, capazes de se ligarem por reações covalentes a polissacarídeos e aumentar sua atividade antioxidante no corpo.

Já sobre a sua composição de lipoproteínas, o ovo contém as frações LDL e HDL colesterol, contudo, estudos mostram que esse colesterol presente no ovo não tem a capacidade de elevar o colesterol do sangue, devido às propriedades dos fosfolipídeos presentes em seu conteúdo, como fosfatidilcolina (PC), fosfatidiletanolamina (PE), lisofosfatidilcolina (lisoPC), esfingomielina (SM) e alguns lipídios neutros em quantidades menores. Além disso, outros lipídios ativos são encontrados nesse alimento: ácidos graxos monoinsaturados a poli-insaturados.

A colina é um nutriente importante presente no ovo que merece atenção, por desempenhar uma ação essencial na saúde cerebral, sobretudo neonatal, uma vez que a ingestão inadequada desse nutriente durante a gravidez pode aumentar o risco de defeitos do tubo neural do bebê. Ainda, devemos destacar o perfil de carotenoides nos ovos como fundamentais para o corpo, entre eles o caroteno e as xantofilas (luteína, criptoxantina e zeaxantina).

 

A homeostase do ovo e do colesterol

O consumo de ovos e a sua associação às doenças cardiovasculares foi associado por conta da quantidade de colesterol presente nesse alimento. Contudo, estudos observaram que o consumo regular do alimento pode levar ao aumento das duas frações de colesterol, o LDL e o HDL, o que demonstra que a proporção LDL/HDL se mantém inalterada, ou seja, o HDL neutraliza o efeito do LDL. Assim, pode-se resumir que esse alimento na dieta não é capaz de aumentar negativamente o colesterol do sangue.

O HDL em boas concentrações é responsável por recolher o colesterol das células espumosas para inibir a oxidação do LDL, atenuando o processo de inflamação e reduzindo o transporte de colesterol para prevenir a aterosclerose. Portanto, ele está ligado à proteção cardiovascular.

Pode-se destacar, ainda, que o ovo contém alguns nutrientes, como as ovomucinas, proteínas contendo enxofre, proteínas hidrolisadas e fosfolipídios, que podem ser considerados bioativos, sendo capazes de regular a absorção e o metabolismo do colesterol, o que neutraliza os efeitos adversos da ingestão elevada de colesterol na dieta.

Analisando os dados mais antigos na ciência, ressaltamos um estudo prospectivo com mais de 117.000 adultos e acompanhamento de 14 anos, que demonstrou que não houve diferenças de riscos de doenças cardiovasculares entre os participantes que consumiram um ovo por semana e aqueles que consumiram um ovo por dia, mostrando que o consumo regular desse alimento não influencia significativamente o nível de colesterol sérico.

Na metanálise de Kuang et al. (2018), os autores avaliaram grande parte de todos os estudos de intervenção feitos sobre o consumo de ovos, e mostraram que os níveis séricos de colesterol LDL e HDL aumentaram em grupos de alto consumo de ovos (1 a 3 ovos por dia em comparação com nenhum ovo) enquanto a proporção de LDL sérico para HDL (LDL / HDL) é inalterado. A maioria deles concluiu que o consumo de ovos não é um fator de risco para cardiopatias, devido ao fato de que a relação LDL/HDL permanece inalterada, pois essa relação é considerada um fator de risco mais forte do que apenas a elevação das frações separadas do colesterol.

 

Ovos Vermelhos Korin

Quando falamos em consumo de ovo, devemos levar em consideração a procedência e a cadeia produtiva desse alimento, buscando alternativas mais saudáveis e sustentáveis para sua escolha diária. Os Ovos Vermelhos Caipira Livres de Transgênicos da Korin são produzidos de acordo com a norma ABNT NBR 16437 para galinhas caipira, por meio de aves alimentadas com ração de grãos de milho e soja não transgênicos.

As galinhas são criadas sem nenhum uso de antibióticos, sejam melhoradores de desempenho ou terapêuticos, além de serem usadas práticas de bem-estar animal com certificação. Por não conter transgênicos, é um alimento que contribui com a biodiversidade, preservando o patrimônio genético de plantas e sementes, colaborando para a preservação do planeta, através das opções tecnoprodutivas dos agricultores.

 

REFERÊNCIAS

Réhault-Godbert, S., Guyot, N., & Nys, Y. O ovo de ouro: valor nutricional, bioatividades e benefícios emergentes para a saúde humana. Nutrients, v.11, n. 3, 684, 2019.

Kuang, H., Yang, F., Zhang, Y., Wang, T., & Chen, G. O impacto da composição nutricional do ovo e seu consumo na homeostase do colesterol. Colesterol, 2018.

Hu FB, et al. A prospective study of egg consumption and risk of cardiovascular disease in men and women. JAMA, v. 281, n. 15, p. 1387-94, 2000.

Drouin-Chartier JP. Et al.. Egg consumption and risk of cardiovascular disease: three large prospective US cohort studies, systematic review, and updated meta-analysis. BMJ., v. 4, n. 368, 2020.